Operação da PF aponta movimentações milionárias e levanta suspeitas sobre rede financeira envolvendo influenciadores e artista

A Polícia Federal investiga um conjunto de movimentações financeiras que indicam possíveis conexões entre o cantor MC Ryan SP, a influenciadora Deolane Bezerra e o Instituto Projeto Neymar Jr. As apurações fazem parte da Operação Narco Fluxo, que mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro em larga escala.

Segundo a investigação, Deolane Bezerra teria atuado como uma espécie de “conta de passagem”, movimentando recursos entre diferentes agentes. A Polícia Federal aponta que doações realizadas ao instituto ligado ao jogador teriam sido utilizadas como estratégia para melhorar a imagem pública dos envolvidos. Apesar disso, o jogador e a organização não são alvos diretos da operação.

Os dados levantados indicam que a influenciadora movimentou aproximadamente R$ 5,3 milhões em um intervalo de 47 dias. Nesse período, ela teria recebido R$ 430 mil provenientes da produtora de MC Ryan SP. Em seguida, parte dos valores foi destinada ao Instituto Neymar Jr, com transferências que somam cerca de R$ 1,16 milhão, além de R$ 1,1 milhão enviados a uma empresa especializada em blindagem de veículos.

A prisão de MC Ryan SP ocorreu na última quarta-feira, no âmbito da operação, sob acusação de liderar e se beneficiar de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Ao todo, outras dezenas de pessoas também foram detidas, entre elas o cantor MC Poze, o empresário Raphel Sousa Oliveira e o casal de influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão.

A Polícia Federal sustenta que a transferência de R$ 430 mil da produtora ligada ao artista não apresenta justificativa comercial clara, o que reforça a suspeita de um vínculo financeiro direto entre os investigados. De acordo com os investigadores, há indícios de que receitas provenientes de shows estariam sendo misturadas a recursos oriundos de apostas e rifas, formando um fluxo financeiro que abasteceria contas de aliados estratégicos.

Na avaliação da PF, essas movimentações sugerem a existência de um “ecossistema financeiro comum” entre os investigados, o que poderia caracterizar associação criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações continuam em andamento, com análise detalhada das transações e dos vínculos entre os envolvidos.

Deolane Bezerra já havia sido presa anteriormente, em Recife, sob suspeita de participação em um esquema envolvendo apostas ilegais e lavagem de dinheiro. Na ocasião, ela foi liberada poucos dias depois.

O caso segue sob investigação, e novas diligências devem aprofundar a análise sobre a origem e o destino dos recursos movimentados, bem como o possível envolvimento de outros nomes no esquema.

REVISTA VIBE